Por Alfredo Scaff –

Há silêncios que não são neutros.
Há instituições que, ao se omitirem, escolhem um lado.
E há limites — mesmo para a covardia.

É inaceitável que o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, entidade que um dia ergueu a voz pela redemocratização do país, hoje negue à própria advocacia o direito elementar de escolher, pelo voto direto, quem a representará nacionalmente.

Não se trata de uma pauta corporativa. Trata-se de coerência.

A advocacia, que em sua essência existe para defender o cidadão contra os excessos do Estado, permanece subordinada a uma estrutura que ignora a vontade da base, perpetua oligarquias regionais e cala diante das violações do Estado de Direito.

Como exigir respeito às prerrogativas, se a própria instituição que deveria garanti-las prefere o silêncio?
Como defender a ampla defesa, se aqueles que a representam não têm coragem de defender nem a si mesmos?
Como falar em justiça, se a parcialidade se naturaliza — e a OAB assiste, calada?

Recentemente, assistimos a mais um episódio que escancarou a assimetria de forças dentro do Judiciário brasileiro. Um juiz reconheceu publicamente que errou ao cumprir a lei. E pediu desculpas por isso. Um gesto revelador: há medo. há ameaça, há pressão e, consequentemente, desequilíbrio.

E o que fez a OAB?
Silenciou. Nem uma nota. Nem um gesto. Nenhuma palavra.

Essa mesma OAB ignora há tempos o Projeto de Lei 1123/22 — proposto por mim em 2022, apresentado pelo deputado Guiga Peixoto e de relatoria da deputada Bia Kicis — que estabelece eleições diretas para a presidência do Conselho Federal. Uma proposta justa, legítima e urgentemente necessária.

Afinal, se a democracia não cabe dentro da OAB, como ela pode pretender defendê-la fora dela? O papel da advocacia é ser contrapeso. É garantir que o Estado não se torne opressor. É lembrar que nenhum poder é absoluto. Que nenhum processo é justo sem o contraditório. Que nenhuma autoridade está acima da Constituição.

Quando a OAB cala, a justiça enfraquece.
Quando a OAB se omite, os direitos murcham.
Quando a OAB se curva, não é a advocacia que se ajoelha — é o próprio Estado de Direito que sangra.

Eleição indireta é resquício autoritário.
A submissão institucional é corrosiva.
E a covardia nunca será neutra.

Exigimos eleições diretas para o Conselho Federal URGENTE!

Por dignidade. Por coerência.

E, sobretudo, por justiça.

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