Por: Alfredo Scaff –

Nos últimos meses, milhares de brasileiros foram surpreendidos ao descobrir que seus benefícios do INSS haviam sido usados em fraudes — sem aviso, sem consentimento, sem sequer desconfiarem. Aposentados com empréstimos consignados que nunca pediram, pensionistas com dados violados, segurados com descontos indevidos e um sentimento comum a todos: a indignação. Mas a indignação, por si só, não resolve. O que resolve é ação. E é aí que nós, advogados, entramos.

É curioso como, em momentos como esse, muitos ainda acreditam que “esperar pelo INSS” resolverá o problema. Não resolverá. Ou, pelo menos, não com a urgência e a reparação que o caso exige. Estamos falando de um golpe que, além de ferir o bolso, humilha quem trabalhou a vida inteira por seus direitos. E quando o Estado falha — seja por omissão, descaso ou lentidão — a Justiça precisa ser acionada.

O papel do advogado é técnico, mas também é humano

Sim, somos especialistas em leis, prazos e provas. Mas somos, antes de tudo, ponte entre o cidadão comum e um sistema que muitas vezes o engole. Quando alguém chega ao nosso escritório com um extrato na mão e os olhos cheios de dúvidas, não estamos apenas elaborando uma petição. Estamos restaurando confiança, reconstruindo direitos, dando voz a quem foi lesado e, muitas vezes, silenciado.

Essa fraude do INSS expõe mais do que brechas em sistemas digitais ou falhas administrativas. Ela escancara o quão essencial é a advocacia no dia a dia das pessoas. Não apenas para grandes causas, mas para as causas justas — ainda que pequenas aos olhos do Estado, mas imensas na vida de quem as vive.

O tempo da omissão acabou

Este é um chamado à advocacia independente, à advocacia combativa e comprometida com a dignidade. É hora de sair da zona de conforto, de ir além da teoria e atuar na linha de frente dessa reparação coletiva. E para quem ainda pensa que o papel do advogado é apenas “entrar com processo”, aqui vai um lembrete: somos nós quem transformamos queixas em direitos reconhecidos, lesões em indenizações, injustiças em jurisprudência.

A advocacia não pode ser coadjuvante quando o povo é vítima. E, diante de um escândalo como este, não há espaço para hesitação. Há espaço para atuação — técnica, ética, firme e solidária.

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