Por Alfredo Scaff –

No último fim de semana, o Brasil foi surpreendido por uma demonstração explícita de intolerância, fanatismo ideológico e desumanidade. Tudo começou com uma postagem inofensiva: uma foto da pequena Vicky, de apenas 5 anos, filha do empresário Roberto Justus com Ana Paula Siebert, usando uma bolsa de grife. O que seria, no máximo, uma curiosidade sobre a ostentação de famílias ricas rapidamente virou palco de linchamento digital.

Entre os ataques, destacou-se um comentário revoltante feito por Marcos Dantas, professor universitário da UFRJ e ex-integrante de governos petistas. Em resposta a uma publicação que ironizava o luxo da criança, o docente escreveu: “Só guilhotina...” — uma alusão direta ao assassinato de membros da elite, como ocorreu na Revolução Francesa. A mensagem foi aplaudida por militantes e seguida de outros ataques ainda mais baixos, como o de Aline Alves de Lima, que se descreve como “esquerdista e psicanalista” e cujo nome aparece ao lado do símbolo do comunismo e de uma estrela, que escreveu: “Tem que mtr mesmo! PQP!!!!”

Não é exagero afirmar que a criança foi vítima de um ataque simbólico, baseado apenas em sua condição social e familiar. Isso vindo de pessoas que se apresentam como “defensoras dos direitos humanos”. Qual seria a reação da sociedade se o ataque tivesse partido de um professor conservador contra o filho de um político de esquerda? A resposta é óbvia: haveria protestos, pedidos de exoneração e manchetes indignadas nos grandes veículos.

Curiosamente, os mesmos setores que fazem pouco caso do ataque à menina Vicky silenciam ou relativizam denúncias reais de uso indevido de dinheiro público por figuras da esquerda. A deputada federal Erika Hilton, por exemplo, tem sido alvo de questionamentos do Ministério Público Federal por gastos questionáveis, como a contratação de maquiador como assessor parlamentar e ostentação de artigos de luxo como bolsas, sapatos, viagens etc., assim como a primeira-dama brasileira. Silêncio ensurdecedor.

Ou seja, para a militância radical, ser rico é crime; desviar dinheiro público, não — desde que você esteja do “lado certo” da ideologia.

O caso do professor da UFRJ escancara outro problema urgente: a politização partidária dentro de universidades públicas, mantidas com recursos de toda a sociedade. O espaço acadêmico deve ser plural, livre para debates, mas jamais pode ser usado como trincheira para militância ideológica.

O Brasil precisa escolher entre a civilidade e a barbárie. Atacar uma criança por ela ser rica, desejar sua morte e fazer disso um meme político é ultrapassar todos os limites da dignidade humana.

Que fique claro: liberdade de expressão é um bem maior, conquistado ao longo de séculos por nações livres e democráticas, direito assegurado ao cidadão pelo art. 5º, inciso IV, da Constituição Federal Brasileira. E isso deve ser respeitado, assim como o direito de quem se sente ofendido ou ameaçado de poder usar a lei para se proteger — e isso não pode ficar nas mãos do Estado. Não há regulação que impeça esse tipo de fato, uma vez que, claramente, têm viés. O que impedirá esse tipo de atrocidade é a aplicação justa da lei. Só isso!

A sociedade brasileira não pode naturalizar esse tipo de comportamento. Não se trata de ideologia, mas de humanidade.

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